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Quais são os gastos públicos com maior potencial de reduzir a violência no Rio de Janeiro?

Por Magno Mendes, pesquisador do IDados

Inspirado em publicações americanas que investigam o tema da violência urbana, esse post tem como proposta analisar alguns dados publicamente disponíveis e suas correlações com a violência fluminense. Foram cruzados um “índice de letalidade violenta” (baseado em dados brutos de morte violenta por habitante no estado e na capital do Rio de Janeiro), dados do IBGE e gastos do governo estadual nas seguintes áreas: segurança, educação, urbanização, saúde, assistência social e previdência social.

Para ilustrar os resultados, foram elaborados dois gráficos. O primeiro correlaciona os gastos do governo estadual nas áreas citadas com a “taxa de letalidade violenta”. Já o segundo correlaciona o índice de violência criado com variáveis macroeconômicas como PIB per capita real, rendimento médio real e taxa de desemprego em diferentes faixas etárias.

 

Gráfico 1:

Gastos do governo estadual:

1-j

Fonte: IBGE; Instituto de Segurança Pública; Governo do Estado do Rio de Janeiro. Elaboração: IDados. 

 

Gráfico 2:

2

Fonte: IBGE; Instituto de Segurança Pública; Governo do Estado do Rio de Janeiro. Elaboração: IDados. 

 

Resultados

Percebe-se que, em vários quesitos, os gastos públicos na capital e no estado inteiro parecem ter efeitos relativamente diferentes nas taxas de violência.

No município do Rio de Janeiro, os efeitos de quase todos os gastos parecem ser maiores do que em todo o estado.

O gasto com educação se sobressai por apresentar uma alta relação com a redução de letalidade violenta tanto na capital quanto no estado.

Outras políticas públicas que podem ter efeitos relevantes no índice de letalidade são as que aumentam o rendimento médio dos trabalhadores, o que, por sinal, tem uma correlação maior do que simplesmente aumentar o PIB per capita real. Ou seja, o aumento do salário médio real dos fluminenses tem um efeito bem maior na redução da violência do que o aumento do PIB do estado.

Além disso, o segundo gráfico nos mostra que políticas que reduzam o desemprego, principalmente entre jovens, também são boas apostas para a redução da violência.

A conclusão mais interessante é que o gasto com segurança em si não parece ter um efeito tão consistente quanto ao das demais variáveis analisadas, com destaque para educação.

Na melhor das hipóteses, ele se mantém próximo das outras variáveis na capital e, mesmo assim, é o segundo menos relevante dentre todas.

Vale lembrar que o investimento em educação e em políticas voltadas para os jovens traz outros benefícios sociais para além da redução da violência.

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