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Práticas gerenciais reconhecidas podem ajudar a melhorar o desempenho das escolas brasileiras

Por Bruno Ottoni, pesquisador do IDados

O governo brasileiro vem aumentando significativamente seus gastos em educação nas últimas décadas, mas isso não tem sido capaz de produzir os efeitos esperados no desempenho dos alunos.

Por exemplo, entre 2005 e 2015, os gastos do governo no ensino médio aumentaram de 0,5% para 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Porém, neste mesmo período, as notas na Prova Brasil dos alunos de ensino médio na rede pública ficaram estáveis no caso de Matemática (260.81 e 260.04) e aumentaram pouco em Língua Portuguesa (249.27 e 260.88).

Diante desse cenário, em que mais gastos não se traduzem em melhor desempenho, parece importante buscar alternativas para aprimorar os resultados dos nossos alunos.

Este post tem como objetivo chamar a atenção dos gestores brasileiros da área de educação para os importantes efeitos que práticas gerenciais de maior qualidade podem produzir em termos de melhoria no desempenho dos nossos alunos.[1]

Em um artigo recente ( Fryer (2017) ), Roland Fryer documenta que um aumento de 1 desvio-padrão no índice que utiliza para medir a qualidade das práticas gerenciais adotadas em escolas dos EUA resulta em um crescimento de 0,10 desvios-padrão no desempenho dos alunos em testes relevantes. Já nos testes de menor importância, um aumento de 1 desvio-padrão produz um crescimento de 0,19 desvios-padrão no desempenho.

Em um outro artigo ( Bloom et al (2015) ), Nicholas Bloom, Renata Lemos, Raffaella Sadun e John Van Reenen medem a qualidade das práticas gerenciais adotadas nas escolas brasileiras. Este trabalho desenvolve um índice, que varia de 1 até 5, para captar a qualidade das práticas gerenciais adotadas em uma amostra de 513 escolas de nosso país – 138 são privadas e 375 públicas. Valores mais ou menos elevados do índice representam práticas gerencias de maior ou pior qualidade.

O gráfico 1 apresenta a distribuição da qualidade das práticas gerenciais adotadas nas escolas brasileiras (tanto as públicas quanto as privadas), gerada a partir dos dados de Bloom et al (2015). Dois aspectos do referido gráfico chamam imediatamente a atenção.

Primeiro, fica evidente que a qualidade média das práticas gerenciais adotadas nas escolas brasileiras, representada no gráfico por uma linha vertical preta, é relativamente baixa -fica em 2. Este valor é bem inferior ao de outros países como Reino Unido, Suécia e Canadá. Nestes países, a qualidade média fica, respectivamente, em 2,9, 2,8 e 2,8 (estes últimos números também foram retirados de Bloom et al, (2015) ).

Segundo, fica claro que há uma grande dispersão na qualidade das práticas gerenciais adotadas nas escolas brasileiras. Por um lado, há um número grande de escolas com um índice de qualidade das práticas gerencias abaixo da média. Ou seja, existem muitas escolas que adotam práticas gerenciais de qualidade inferior a 2. Por outro lado, há algumas escolas que adotam práticas gerenciais de qualidade extremamente alta, com índice acima de 4.

[1] Os leitores mais interessados que queiram compreender o que são práticas gerenciais de maior qualidade podem consultar os seguintes textos: Fryer (2017) e Bloom et al (2015).

Gráfico 1 – Distribuição da Qualidade das Práticas Gerenciais Adotadas nas Escolas Brasileiras

imagem

A evidência apresentada acima, de grande dispersão na qualidade das práticas adotadas nas escolas brasileiras, sugere que pode haver bastante espaço para melhorar a qualidade da gestão das escolas em nosso país, com efeitos positivos no desempenho dos alunos.

Uma alternativa poderia ser envolver gestores de escolas que adotam práticas gerenciais de alta qualidade no treinamento de gestores de escolas que utilizam práticas gerenciais de baixa qualidade.

Bibliografia:

. Bloom, N., Lemos, R., Sadun, R., & Van Reenen, J. (2015). Does management matter in schools?. The Economic Journal125(584), 647-674.

. Fryer Jr, R. G. (2017). Management and Student Achievement: Evidence from a Randomized Field Experiment (No. w23437). National Bureau of Economic Research.

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