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Aumenta a proporção de homens, chefes de família e escolarizados dentre os inativos

Por Bruno Ottoni, pesquisador do IDados

A crise econômica trouxe inúmeros efeitos deletérios sobre o mercado de trabalho brasileiro. Neste quadro de deterioração, destaca-se o aumento da inatividade. Mais precisamente, a população inativa – que é parcela da população que não trabalha e que não está procurando emprego – aumentou de 60,0 milhões, no trimestre encerrado em junho de 2012, para 65,5 milhões, no trimestre encerrado em junho de 2018. Três fatores, referentes às características da população inativa, merecem destaque.

Primeiro, chama a atenção o aumento da proporção de homens dentre os inativos (ver gráfico 1). Antes da crise (período que precede a linha vermelha do gráfico 1), a proporção de inativos do sexo masculino ficava em torno de 33,3%. No entanto, no trimestre encerrado em junho de 2018, a proporção de inativos do sexo masculino já tinha subido para mais de 35,1% – um aumento de quase dois pontos percentuais.

Segundo, chama atenção o aumento da proporção de inativos que são chefes de domicílio (ver gráfico 2). Antes da crise (período que precede a linha vermelha do gráfico 2), a proporção de inativos que eram chefes de domicílio ficava em torno de 32,7%. No entanto, no trimestre encerrado em junho de 2018 a proporção de inativos que eram chefes de domicílio subiu para 37,4% – um aumento de quase cinco pontos percentuais.

Finalmente, chama atenção o aumento da proporção de inativos que são escolarizados (ver gráfico 3). Vale ressaltar que os escolarizados que aparecem no gráfico são aqueles indivíduos que possuem 10 anos ou mais de estudo. Antes da crise (período que precede a linha vermelha do gráfico 3), a proporção de inativos que eram escolarizados ficava em torno de 27,3%. Porém, no trimestre encerrado em junho de 2018, a proporção de inativos que eram escolarizados já tinha subido para mais de 32,3% – um aumento de cinco pontos percentuais.

Este caso do crescimento da proporção de inativos que são escolarizados tem uma particularidade, pois já parecia haver uma tendência de aumento mesmo antes da crise. Então, o crescimento da proporção de inativos que são escolarizados precisa ser investigado com maior cuidado.

As tendências apresentadas acima são preocupantes, porque demonstram que mesmo pessoas que não tinham costume de ficar na inatividade parecem ter sido obrigadas a migrar para fora da força de trabalho em virtude da crise econômica. Mesmo a retomada recente da atividade econômica não parece ter ajudado essas pessoas a voltar para a força de trabalho.

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